Manual de sobrevivência ao fim de uma relação

...E por mais que tudo na nossa vida esteja errado e nos deixe insatisfeitas, existe sempre aquela pessoa com quem mantemos uma relação amorosa, cúmplice, de amizade e companhia que preenche todas as lacunas do nosso passado e presente que tanto nos incomodam.

Quando nos apaixonamos, passamos a viver em função do outro, deixamos de dar tanta importância às saídas com as amigas, às conversas com os amigos, às festas que sempre íamos e às rotinas de solteira que nos faziam sentir bem. Tudo isso se justifica com quatro letras apenas: amor. Gostamos de tal forma da outra pessoa que tudo passa a girar à volta dela e trocamos qualquer plano em grupo por um serão a dois. A nossa vida molda-se à vida em conjunto e deixamos de lado o "meu mundo" para substituirmos pelo "nosso mundo".

Depositamos todos os nossos sonhos, desejos e vontades na outra pessoa, afinal... basta-nos estar bem com ela para que mais nada importe. Sabemos que ela é verdadeira connosco e é com essa verdade que nos alimentamos todos os dias.

Até ao dia que, seja pelo motivo que for, tudo morre. Chega ao fim. Vemos que já não temos aquela pessoa com quem partilhar a felicidade ou as coisas menos boas, sentimos que nos retiraram o chão debaixo dos pés sem fazerem um aviso prévio e sentimo-nos isoladas e sozinhas. Afinal, aquelas amigas já lá vão, aquelas saídas já nem fazem parte da nossa rotina, aquela pessoa que nós éramos antes desta pessoa aparecer na nossa vida, já não existe. E a pessoa que nos tornámos na vida em conjunto morre com a morte do amor.
E como podemos sobreviver a isso?

1. Falar do assunto até à exaustão

É essencial que as pessoas que escolhemos para falar do assunto estejam realmente preocupadas connosco. Essas pessoas podem ouvir-nos a falar horas do mesmo assunto sem se sentirem incomodadas e sempre com o mesmo objectivo de ajudar.
É preciso chorar tudo o que se tiver de chorar, falar até já não querer mais, não deixar nada por dizer. Só assim não acumulamos amarguras e libertamos tudo o que nos passa pela cabeça. Os pensamentos de tristeza são necessários, o choro também, falar do assunto também, tudo faz parte do processo. Saltar fases deste mesmo processo só vai arrastá-lo por mais tempo dentro de nós.

2. Livrar-se da culpa

    Este processo é demorado. Vai apetecer adormecer e só acordar quando tudo passar mas, isso não vai acontecer.

Temos mesmo de passar por certas coisas para que possamos dar valor à parte boa que vier a seguir.

O primeiro passo de todos é livrarmo-nos do sentimento de culpa, que surge naturalmente quando não queremos que a relação acabe.
Não importa o motivo que fez com que tudo chegasse ao fim, é óbvio que vão surgir todos os pensamentos começados por "e se...".
E se eu lhe tivesse dado mais atenção?
E se eu não tivesse dito aquilo?
Já não se pode mudar nada, e se já foi tomada uma decisão da outra parte só temos de entender que quem gosta realmente de nós, não vai embora. Não pede tempos, não pede espaço, não precisa de pensar, não vai e volta. Simplesmente não sai da nossa vida. E se a outra pessoa tem dúvidas, então não é boa o suficiente para estar connosco e não vale mesmo a pena pensar como teria sido se tudo fosse diferente.

3. Ver as coisas como são na realidade

Quando uma pessoa morre, há sempre a tendência para nos lembrarmos apenas das virtudes que ela tinha e recordarmos apenas os momentos bons.
O mesmo acontece com a morte do amor. Criamos sempre as melhores recordações e imagens, criamos memórias glamorosas quando na realidade as coisas já não estavam assim tão bem.

Se estivessem, não acabavam.

É importante analisar com clareza o que não estava bem e parar de querer ver a perfeição onde ela não existe. É importante reflectir se a relação estava esgotada também para nós próprias, só assim conseguimos ver o fim do namoro como um mal necessário e não como uma rejeição inultrapassável.

4. Correr atrás de alguém? Só se o objectivo for emagrecer!

Se a outra pessoa te diz que não quer MESMO mais estar contigo e quer dar a relação por terminada, pára de andar atrás.
Ok, temos de mostrar que nos importamos e que não queríamos que aquilo acabasse assim mas depois de tanta insistência e pressão que vamos fazer no outro, ele vai ainda magoar-nos mais ao ponto de deixar de atender o telefone, responder a qualquer mensagem, deixar radicalmente de fazer parte da nossa vida porque vai achar que essa é a única forma de te fazer entender que acabou.
Quando a pessoa está muito decidida, corrermos atrás dela é o mesmo que estarmos à espera de um comboio no aeroporto. Não adianta.
Até porque pedir a alguém para gostar de nós é o cúmulo de falta de amor próprio.
Para bom amor, meio coração não basta. O carinho, amor e amizade devem ser dados gratuitamente.

5. Tudo acontece por uma razão

O único pensamento que surge durante imenso tempo, é: "porquê a mim? porquê a nós que éramos tão perfeitos? eu não mereço isto!"
Pois não... merecemos melhor.
Toda a gente vai dizer que tudo acontece por uma razão (numa tentativa de nos fazerem sentir melhor) e nós vamos sempre questionar-nos de qual é a razão que justifica tamanho sofrimento. Não faz sentido!
Mas se calhar é apenas a vida a dar-nos um grande abanão.
Se calhar tomámos pessoas como garantidas, se calhar precisávamos de nos tornar menos impulsivas, precisávamos de aprender a dar valor a coisas que normalmente não dávamos...
A razão pela qual tudo acontece, pode não parecer justa mas "justiça" não é uma palavra importante no fim de uma relação.
Uma flecha só pode ser lançada para a frente se for puxada para trás.

6. Remexer as redes sociais, para quê?

Ah queres fazê-lo? Fazes bem. Mas só se estiveres conscientes que quem procura onde não deve, encontra o que não quer. Ver isso traz consequências dolorosas para o nosso coração e auto-estima.
No entanto, são essas mesmas coisas que podemos encontrar ao remexer a vida de alguém que já não nos é nada, que nos fazem andar para a frente.
Ou seja, vemos coisas que não nos fazem sentir minimamente especiais, que magoam por vermos a pessoa a seguir a vida dela sem nós mas é isso mesmo que vai fazer com que o sentimento de perda rapidamente seja substituído por um sentimento de "eu não quero estar com uma pessoa assim".
A pessoa que gostávamos e que estava connosco com aquela personalidade a que nos habituámos, deixou de existir e não volta mais.

7. Quando conheces um lado diferente da outra pessoa...

Xiiii. Dói.
Este é aquele ponto que é necessário passar para que nós próprias não queiramos mais estar com uma pessoa "assim". Quando se revela um lado desconhecido, quando as atitudes não são coerentes com aquilo que conhecemos durante o tempo que tivemos em conjunto, não devemos mais chorar e sentirmo-nos mal pela falta que a pessoa nos vai fazer, mas devemos sim agradecer o favor que a pessoa nos está a fazer ao sair da nossa vida.
Queremos pessoas íntegras, verdadeiras, sem dois lados da mesma moeda.
Os carros têm duas chapas diferentes mas apenas uma matrícula!
E é isso mesmo que nós procuramos na outra pessoa, que no lado bom ou mau na história "tenha sempre a mesma matrícula" e se siga sempre pelas mesmas atitudes!

8. Procurar ajuda e boas pessoas

A dor é inevitável mas o sofrimento é opcional.
Custa, custa muito durante bastante tempo mas cabe a nós escolhermos o grau de sofrimento que  permitimos entrar e ficar na nossa vida.
Se nós não quisermos sair do "buraco", ninguém, por mais que tente, nos consegue tirar de lá.
É importante que nos façamos acompanhar de boas pessoas, com exemplos positivos, que nos façam sentir bem. É importante também definir objectivos pessoais para sair do sofrimento, e se mesmo assim não estivermos a conseguir, então é crucial procurar ajuda.
Procurar ajuda de um profissional não é sinal de fraqueza, pelo contrário, é sinal de consciência e lucidez. E pode realmente ser o ponto-chave da mudança.
Durante todo o processo devemos procurar agir como estivéssemos a dar o exemplo a alguém mais novo ou a alguém que esteja a passar pelo mesmo. Como se quiséssemos mostrar como se é forte e se dá a volta por cima a qualquer situação. Pode ser com consultas, a ler livros de auto-ajuda, a agarrarmo-nos a algo em que acreditamos... não importa o que é, desde que nos faça bem.

9. Livrarmo-nos das lembranças.

Apagar fotos do facebook e do telemóvel, esconder as pastas de fotografias e pequenos objectos que nos lembram a história a dois, deitar fora tudo o que formos capazes. É libertador.
Quem vive no passado, é museu.
As memórias visuais e as lembranças físicas vão começar a estorvar, a incomodar, e este é um ponto de viragem e um dos que exige mais coragem em todo o processo e só mostra inteligência emocional.

10. Ocupar o tempo com algo que nos faz feliz.

Pensa em 2 ou 3 coisas que te fazem sentir bem e feliz, e faz isso com mais frequência.
Inscreve-te num ginásio, cria um blogue, vai às compras, faz o que quiseres... mas obriga-te a sair de casa!
Estar em casa isolada significa que não vais parar de pensar no assunto, ficar a chorar todo o dia pelas lembranças que surgem, ficar a imaginar como será a vida sem aquela pessoa a partir de agora.
Não vai apetecer sair de casa nem estar ocupada. A única coisa que apetece é cavar ainda mais o buraco do sofrimento e ficar ali, a "curtir" sozinha aquele conforto depressivo.
Mas é importante sair dessa zona de conforto. Rapidamente.

11. Investir no orgulho e amor próprio.

Quando a relação acaba, achamos que nos tornámos desinteressantes, que perdemos o brilho e o valor e é aí que a nossa auto-estima entra em ruptura.
É frequente que o fim da relação custe mais pela rejeição em si do que pela vontade de estar com o outro.
A vontade de nos fazermos amar é tanta, que não importa como, mas o outro tem de gostar de nós.
Neste ponto devemos ter a consciência do nosso valor, do nosso orgulho e de que por mais que seja necessário dar um braço a torcer... torcer não significa partir.
A nossa auto-estima não pode ser afectada pelo sentimento de rejeição.
Procura investir em ti mesma, vestires-te ainda melhor, maquilhares-te, sentires-te bonita e transparecer confiança.

12. A pessoa não é insubstituível.

Durante algum tempo vamos achar que nada nem ninguém vai conseguir equiparar-se aquela pessoa nem ao que construímos com ela.
Todas as virtudes daquela pessoa parecem impossíveis de encontrar noutra, esquecemo-nos dos defeitos dela e das coisas que quase não suportávamos.
Enquanto pensarmos nessa pessoa como um deus que rege o nosso mundo, não saímos do mesmo lugar. Portanto com certeza vai haver alguém que ultrapasse aquilo que achávamos insubstituível.
É tudo uma questão de tempo.

13. Deixar de ver a pessoa.

Sê radical. Se a outra pessoa não tomar essa decisão por si, toma tu! Não queiras mais vê-lo nem procurar por ele, não queiras mais remexer naquilo que não importa.
Aos poucos, vais deixar de conseguir lembrar-te da cara dele, da voz dele, dos trejeitos naturais daquela pessoa. A memória desvanece e consegues viver melhor sem assombrações constantes.

14. Aprender a ser feliz, sozinha.

Ser independente é imperativo.
No início, toda a rotina vai parecer estranha sem a outra pessoa, sem as mensagens constantes, a companhia e as conversas.
Mas rapidamente a necessidade fala mais alto e temos obrigatoriamente de ser mais independentes. E isso é tão bom!
É essencial que ao longo do tempo aprendamos a ficar bem sozinhas, para que no futuro possa aparecer outra pessoa na nossa vida de forma natural e não por necessidade de companhia.

15. Fazer uma retrospectiva.

Até podes escrever e enumerar numa folha os defeitos da outra pessoa que jamais queres encontrar em alguém.
Podes até pensar nas coisas que a relação te trouxe e que não queres mais repetir.
Podes colocar aqui todos os "e se...", para que no futuro deixem de ser dúvidas e possas melhorar na próxima relação.
Olha para os teus próprios defeitos e vê aquilo que achas que pode também ter levado a que alguma coisa corresse mal.
Pensa em tudo isso e leva contigo essa lição para o resto da tua vida. O que queres guardar e manter, o que não queres mais repetir, o que não queres mais ter por perto.

16. Tornarmo-nos disponíveis.

Mesmo quando achamos que sem aquela pessoa estamos sozinhas, não é verdade.
Queremos é pessoas novas na nossa vida, que nos acrescentem algo e que tragam de volta o nosso lado bom e genuíno.
Para que isso aconteça, não nos podemos isolar.
Se convidarem para jantar, mesmo que o teu estômago se revolte todo só de pensares em comida... vai.
Se querem sair à noite e tu continuas a achar que ao fazeres isso vais estar a passar a imagem à outra pessoa que para ti a situação está a ser peanuts... não penses nisso. Vai e aproveita.
Se alguém novo te fizer propostas, vai e diverte-te.
A outra pessoa está noutra fase, não vai estar a pensar em ti quando tomar uma decisão de sair ou estar com outras pessoas.
Tornarmo-nos disponíveis para o que a vida tem para nos oferecer é o primeiro passo para as coisas boas começarem a surgir.

17. Aceitar que chegou ao fim.

Para nós, mulheres, só uma coisa que dura para sempre é sinónimo de sucesso.
Devemos pensar que pode não ter sido eterno e perfeito mas trouxe felicidade enquanto estivemos juntos, trouxe novas experiências, lições de vida inesquecíveis, tornou-nos mais crescidas e melhores pessoas.
É essencial entender que uma pessoa foi importante numa determinada fase da nossa vida, estar grata por isso e por tudo o que isso nos proporcionou mas agora é tempo de "deixar ir", libertar aquela pessoa, aquele sentimento porque mesmo que não tenha durado o tempo que gostaríamos, com certeza nos deixou algo para sempre.
E esse "algo" que fica é controlado por nós. Umas pessoas preferem que fique a amargura, outras preferem agarrar nas coisas más para as tornar melhores e mais fortes.

18. Não generalizar.

Quantas pessoas conhecem que depois de uma ruptura de um namoro ficaram amargas, sem esperanças no amor, frias e insensíveis?
O que é que isso adianta?
Não é porque uma coisa correu mal que todas as outras não merecem o nosso melhor.
Passamos anos a dar o melhor de nós à pessoa errada e quando finalmente aparece a pessoa certa...a errada somos nós.
Não podemos vincar o sentimento de fragilidade que sentimos e alastrá-lo a toda e qualquer pessoa que tente entrar na nossa vida. O amor existe, o bem-estar é um direito e há sempre quem nos queira fazer bem. Tornarmo-nos amarguradas é como beber veneno e esperar que outra pessoa morra... na verdade só estamos a fazer mal a nós mesmas.
Costuma-se dizer que quem oferece flores, fica com o perfume nas mãos. E isso significa que teremos a retribuição da esperança que depositarmos nos outros mesmo depois de alguém nos ter feito mal e nos ter desiludido.

19. Deixa a porta encostada.

Não precisamos de procurar nada, porque tudo vem ter connosco assim que nos sentirmos livres daquele mau estar. Não precisamos de fazer nada para provar que estamos bem, nem tornar-nos infantis só para mostrar "quem levou a melhor".
Quem levou a melhor foi quem lutou até ao fim, quem não desistiu por um segundo, quem se manteve com os valores iguais desde o início e sabe agradecer por todas as coisas boas que se passaram independentemente de terem acabado mal.
Aceitar que aprendemos com isso e que estamos prontas para os próximos capítulos deixa a porta encostada para alguém que nos vem provar o porquê daquela outra pessoa ter saído da nossa vida.

20. Estás curada.

Cruzas-te com a outra pessoa e já não te diz nada.
Aliás, perguntas-te até como conseguiste gostar dela daquela forma, como te humilhaste tanto para que ela voltasse, como te permitiste sofrer tanto por "aquilo".
"Aquilo" não passa do passado e no presente só pensamos no futuro e em tudo o que temos de bom para dar aos outros e para viver.
Tornamo-nos mais confiantes e completamente  inderrubáveis.
Venham quem vier, a pessoa mais importante do nosso mundo... somos nós!
Uma mulher vê muito à frente no tempo, luta até ao fim. Mas quando desiste não há nada que a faça voltar atrás. E estamos curadas quando estamos em paz, quando compreendemos o que nos aconteceu.

E o melhor... ainda está para vir :)

Sem comentários:

Com tecnologia do Blogger.